Apontamentos L. P.

Aqui encontrarás material educativo que te irá ajudar na disciplina de Língua Portuguesa…

Tempo Outubro 8, 2007

Filed under: O Tesouro — Vera Lourenço @ 10:49 pm

 Tempo histórico – A referência ao “Reino das Astúrias” permite localizar a acção por volta do século IX ou IX já que os árabes invadiram a península ibérica no século VIII; por outro lado, no século X encontramos já constituído o Reino de Leão, que sucedeu ao das Astúrias.

Tempo cronológico– A acção decorre entre o Inverno e a Primavera, mas concentra-se num domingo de Primavera, estendendo-se de manhã até à noite. O Inverno está conotado com a escuridão, a noite, a morte. E é no Inverno que nos são apresentadas as personagens, envoltas na decadência económica, no isolamento social e na degradação moral (“E a miséria tornara estes senhores mais bravios que lobos.”). Por sua vez, a Primavera tem uma conotação positiva, associa-se à luz, à cor, ao renascimento da natureza, sugere uma vida nova, enquanto o domingo é um dia santo, favorável ao renascimento espiritual.

A acção central inicia-se na manhã de domingo e progride durante o dia. À medida que a noite se aproxima a tragédia vai-se preparando.

Tempo do discurso – A acção estende-se do Inverno à Primavera e o seu núcleo central concentra-se num dia, desde a manhã até à noite. A condensação de um tempo da história tão longo (presumivelmente três ou quatro meses) numa narrativa curta (conto) implica a utilização sistemática de sumários ou resumos (processo pelo qual o tempo do discurso é menor do que o tempo da história). Nos momentos mais significativos da acção (decisão de repartir o tesouro e partilha das chaves, bem como a argumentação de Rui para excluir Guanes da partilha) o tempo do discurso tende para a isocronia (igual duração do tempo da história e do tempo do discurso), sem no entanto a atingir.

Quanta à ordenação dos acontecimentos, predomina o respeito pela sequência cronológica. Só na parte final nos surge uma analepse (recuo no tempo), quando o narrador abandona a postura de observador e adopta uma focalização omnisciente, para revelar o modo como Guanes tinha planeado o envenenamento dos irmãos, manifestando dessa forma a natureza traiçoeira do seu carácter.

 

Personagens Outubro 1, 2007

Filed under: O Tesouro — Vera Lourenço @ 1:40 pm

RUI
Caracterização física: gordo, ruivo, barbudo, pescoço peludo,
Caracterização psicológica: “avisado”, decidido, cínico, bravio, calculista, traiçoeiro, vingativo, ganancioso,  ambicioso, sonhador, ansioso, receoso.

GUANES
Caracterização física: magro; pele negra, pescoço de grou.
Caracterização psicológica: desconfiado, bêbado, jogador, leviano, invejoso, bruto, calculista, traiçoeiro.

ROSTABAL
Caracterização física: alto, cabelo comprido, barba longa, olhos raiados de sangue, destro.
Caracterização psicológica: ingénuo, analfabeto, cerdo, torpe, vingativo, desconfiado, ingénuo, impulsivo.

 

Predomina o processo de caracterização directa, visto que a maior parte das informações são-nos dadas pelo narrador.

No entanto, os traços de traição e premeditação de Rui e Guanes são deduzidos a partir do seu comportamento (caracterização indirecta).

As personagens começam por ser apresentadas colectivamente (“Os três irmãos de Medranhos…”), mas, à medida que a acção progride, a sua caracterização vai-se individualizando, como que sublinhando o predomínio do egoísmo individual sobre a aparente fraternidade.

 

A Estrutura da acção

Filed under: O Tesouro — Vera Lourenço @ 1:25 pm

Situação inicial (dois primeiros parágrafos) – Apresentação das personagens e descrição do ambiente em que vivem;

Peripécias e ponto culminante (até ao penúltimo parágrafo) – Descoberta do tesouro, decisão de partilha e esforços para eliminar os concorrentes;

Desenlace (os dois últimos parágrafos) – Situação final

 Da conclusão infere-se que, se considerarmos a história dos “três irmãos de Medranhos”, estamos perante uma narrativa fechada; ao invés, se nos centrarmos sobre o “tesouro”, teremos de considerar a narrativa aberta, dado que ele continua por descobrir (“…ainda lá está, na mata de Roquelanes.”). 

Por sua vez, o desenvolvimento tem também uma estrutura tripartida:     Descoberta do tesouro e decisão de o partilhar;      Rui e Rostabal decidem matar Guanes; morte de Guanes; morte de Rostabal;       Rui apodera-se do cofre e morre envenenado. 

A articulação das sequências narrativas (momentos de avanço) faz-se por encadeamento. Os momentos de pausa abrem e fecham a narrativa e interrompem regularmente a narração com descrições (espaço, objectos, personagens) e reflexões.

 

Resumo

Filed under: O Tesouro — Vera Lourenço @ 1:18 pm

tesouro.gifNuma manhã de Primavera, Rui, Guanes e Rostabal, os três irmãos mais famintos de Medranhos, descobriram, na mata de Roquelanes, um velho cofre de ferro, com três chaves nas fechaduras, cheio de dobrões de ouro.           

Rui, o mais velho, decidiu que o tesouro seria dividido pelos três e Guanes partiu para a vila de Retortilho, levando consigo uma das chaves do cofre, para trazer de lá três alforges de couro para transportar o ouro, três maquias de cevada, três empadões de carne e três botelhas de vinho. 

           Enquanto esperavam pelo irmão, Rui convence Rostabal a matar Guanes para dividirem o tesouro. Quando este regressou da vila, Rostabal debruçou-se sobre o irmão e assassinou-o, espetando-lhe uma espada no peito e na garganta.          

  De seguida, enquanto Rostabal lavava a face e as barbas, Rui assassinou-o, enterrando-lhe sobre o dorso a lâmina da sua espada.          

  Na posse das três chaves e senhor de todo aquele tesouro, Rui decidiu beber uma das garrafas de vinho que Guanes trouxera. De repente, oscilou e sentiu um grande ardor que lhe subia pela garganta. Desesperado, começou a gritar pelos irmãos e a arquejar, até que compreendeu que bebera vinho envenenado e morreu.          

  O tesouro continua enterrado na mata de Roquelanes.